 |
| Victor Hugo (Centro da foto) comunica que não há dinheiro nenhum |
A estreia do Paranaguá Extreme Combate, evento “desorganizado” por Victor Hugo Miranda, contou com duelo internacional, presença dos lutadores do UFC Cristiano Marcello, Felipe Sertanejo e Lucas Mineiro deveria ser um show de MMA, mas se transformou em um caos. Os portões do ginásio Albertina Salmon abriram às 18h como previsto. Às 19h30 o octógono ainda permanecia desmontado. Por volta das 20h, o faixa-preta Ocimar Costa convocou todos os treinadores para comunicar que o promotor não tinha dinheiro para pagar ninguém.
Victor H. Miranda contratou 24 lutadores confiando no lucro da bilheteria para pagar as bolsas, mas o público parananguara não compareceu e o resultado foi o “calote”. Em uma iniciativa louvável, Ocimar assumiu o evento. Para que os lutadores que perderam peso, gastaram com suplementos, treinaram mais de meses, deixaram suas famílias em casa pudessem subir no cage, Ocimar propôs que juntassem o dinheiro arrecadado até aquele momento e que todos recebessem ao menos um valor simbólico.
Marcelo Brigadeiro (RFT), Cristiano Marcello (CM System), Diego Barbosa e Rodrigo Praxedes (Team Nogueira) e líderes de equipes da região honraram o compromisso, deixaram de lado a parte financeira por amor ao esporte e colocaram seus pupilos para lutar. De forma inédita no MMA nacional, organizador do evento, gentilmente, Victor H. Miranda foi convidado a se retirar do ginásio. Ele lamentou o insucesso.
“Estou me sentindo muito mal pelo que aconteceu, mas fazer o que? O evento fracassou. Não esperava por isso. Fiz a divulgação de todos os eventos de MMA de Paranaguá, e neste, fiz uma divulgação ainda maior, mas não deu certo. Não sei o motivo. Foi divulgado nas rádios, jornais, internet e infelizmente não foi ninguém. Esperava umas três mil pessoas e não chegou nem a mil. Estou decepcionado. Gastei muito dinheiro e continuo devendo. Vou sair na rua e serei ‘apedrejado’. Os ‘amigos’ sumiram. O Ocimar assumiu o evento e pediu para que eu fosse embora. Preciso pagar os atletas, os seguranças, som e luz. Foram essas as minhas despesas. A única coisa que eu esperava era pagar as bolsas com a bilheteria. Esse foi o meu maior erro. Poderei pagar somente a partir de quarta ou quinta-feira (10 ou 11 de julho). É complicado demais. Não consigo dormir. Estou surpreso por ter acontecido isso”.
Estavam previstas 12 lutas, apenas sete aconteceram. A Marcelo Costa Team se recusou a lutar “de graça”. “Os representantes da equipe Eduardo Garvon e Junior Ratão chegaram a perder mais de 10 kg cada e treinaram arduamente durante oito semanas. Eles têm contas a pagar. Além de sair sem dinheiro, não vamos arriscar arrumar mais gastos com possíveis lesões”, comentou Evandro Oliveira, o mais experiente do time.
Os treinadores que aceitaram participar, comentaram que já passaram por perrengues parecidos, mas nenhum idêntico. “Estamos aqui por amor ao MMA. Viemos para lutar, vamos lutar”, ressaltaram.
A Chute Boxe (SP), comandada por Diego Lima, deveria receber o pagamento das despesas e presenças de Bruno do KLB e dos lutadores do UFC Mineiro e Sertanejo, além da bolsa de Vinny Loureiro, que enfrentaria o local Junior Ratão, mas saíram de mão abanando. “Tivemos um prejuízo de quatro mil reais ou mais. Porém, quem sou eu para julgar o Victor? Já errei. Você pode errar. Quem somos nós para apontar o dedo para o cara. A intenção dele era das melhores. Mas deu errado. Paciência. Se gostei? Óbvio que não. Mas, bola frente, bora trabalhar”, comentou Lima.
O mesmo Ocimar Costa que bateu no peito e “salvou” o evento, dando aos fãs o prazer de apreciar ao menos sete duelos, colocou cinco alunos em cima do cage, mas nenhum deles recebeu.
“Somos uma família. Os meus filhotes entenderam o ‘espírito’ da coisa. Estamos aqui para colaborar com o esporte que mais cresce no Brasil. Com a plena evolução do MMA é lamentável passarmos por isso. Assumi as pontas não para aparecer nesta matéria, em fotos ou vídeos. Nunca fui disso, quem me conhece sabe. O que posso dizer de coração aberto, a todos, inclusive aos meus alunos, é que no sábado dormi com a sensação de missão cumprida, apesar de segurar um rojão dos grandes. Dentro das condições que a situação me proporcionou, procurei fazer o melhor para todos os envolvidos”, explicou Ocimar.
Lembrando, o faixa-preta André Xaropinho trabalhou como árbitro central e announcer, mostrando esforço e respeito pelos lutadores, equipes e público. “Estou mandando bem no microfone?”, brincou.
Sobre os combates:
Na luta principal o atleta da casa Geovani Max não tomou conhecimento do visitante Rafael Joze “Psicopata”, colocando-o para baixo no início do round inicial e finalizando-o no mata-leão. O inglês Mark Scanlon, ex-atleta do UFC passeou no cage durante 74 segundos, até cravar Alex Junius na lona e finalizá-lo com um triângulo de mão.
Fernando Duarte venceu a quarta consecutiva com um atropelamento de 51 segundos pra cima de Mario Luiz. Uma queda e uma sequência de socos na montada abriram caminho para um armlock. “Faço o que eu amo. E hoje subi aqui por amor ao esporte e não por dinheiro. Vocês que estão aqui mereciam um show, por isso lutamos”, comemorou Duarte, antes do abraço na esposa e nos companheiros da equipe CM System.
Resultados - Paranaguá Extreme Combate
-Geovani Max (OCS) finalizou Rafael Psicopata com um mata-leão aos 2min42 do R1
-Rafael Baraka finalizou Ericson Paulo Carpes com uma Kimura a 1min12s do R1
-Fabio Abreu finalizou Nelson Paixão (OCS) com uma guilhotina a 1min15s do R2
-Natan Schulte finalizou Sergio Barbosa (Bambukay Team) com uma guilhotina a 51s do R2
-Fernando Duarte finalizou Mario Luiz (Cães do Ringue) com um armlock aos 51s do R1
-Apostolis Andrade "Popó venceu Wilian Preisner "Smeagol" por decisão unânime
-Mark Scanlon finalizou Alex Junius "Marmaduke" com um triângulo de mão a 1min14s do R1
fonte:(PVT)
0 comentários:
Postar um comentário